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Domingo, Fevereiro 03, 2008
Mais forte a cada quilômetro.
Meus planos para o carnaval mixaram no final da tarde de sexta feira e decidi pedalar até a cidade de Nizia Floresta, ao sul de Natal e voltar pela BR em duplicação. Uns 80 ou 90 Km.
Acordei as 6:30h e tomei um desjejum, coisa que nunca faço. Um sanduba de mussarela, um todinho e uma banana.
Fiz uns ajustes na Bike e sai por volta das 7:15 em direção a Ponta Negra. Segui o caminho tradicional dos ciclistas de Natal, pela Rota do Sol em direção ao sul, que segue perto do mar e é quase todo plano. Pena que meu ciclocomputador não funcionava. Por isso, fico devendo informações sobre velocidade média e distância percorrida.
O tempo estava muito bom e o trafego, apesar de mais intenso que o normal, não era uma preocupação. Mas algo estava errado, me sentia enjoado e sem muita disposição. A causa era óbvia: O sanduíche de mussarela. Mas como eu não podia fazer nada a respeito, segui em frente.
Com pouco mais de duas horas de pedal, a uns 200 metros da subida de Tabatinga, fiz minha primeira parada. Descansei à sombra por uns 10 minutos, fiz alongamento, passei outra camada de protetor solar e olhava aquela ladeira.
A única vez que a conquistei foi numa noite, com outros colegas. Hoje o sol estava forte e o vento mais ainda. Eu estava levando alguma carga e os carros que passavam diminuíam o espaço que eu poderia usar para subir. A ladeira não se importava com nada disso. Ela estava imponente, ignorando o que as criaturas humanas poderiam estar pensando sobre ela.
Ainda meio enjoado, montei na bicicleta e parti, sem nenhum pensamento de vitória ou de derrota. Apenas fui. Se tivesse que empurrar, tudo bem. Ataquei a subida com pedaladas bem redondas, num ritmo constante, sentei um pouco mais para frente no selim, joelhos bem próximos, mãos nos “bar hands”, sem economizar nas marchas mais leves e, sobretudo, controlando a respiração para não deixar o coração disparar.
Subia e olhava aquela paisagem magnífica. O Sol refletido no mar, as dunas e coqueiros. Sentia o vento como uma caricia. Quando percebi, já estava perto do fim, onde a inclinação fica ainda mais forte. Respirei fundo, pedalei com força e finalmente estava no topo! Olhei para trás e via as casinhas minúsculas lá em baixo.
O enjôo havia desaparecido e me sentia muito bem agora. Um pouco a diante dobrei a direita e comecei a me afastar do litoral em direção à Nizia Floresta. Agora a temperatura iria aumentar e haveria muitas subidas para negociar.
Mas eu estava ótimo! Lembrei da frase do Carlos Sposito que correu a Maratona das Areias no deserto do Saara(corrida de uma semana!): “A cada dia você estará mais forte!” Eu estava me sentindo assim. A cada quilômetro eu estava mais forte! Não foi surpresa chegar em Nizia horas antes do que eu esperava.
Na cidade e parei ao lado do Baobá. Ele é mesmo imenso! Descansei um pouco, tomei duas águas de coco e tomei um picolé. Fiquei triste por que a sorveteria não estava aberta. Nizia é uma cidade pequena e agradável, mas eu estava querendo pedalar. Passei mais protetor solar e segui. Do nada meu computador começou a funcionar e vi que eu estava andando mais rápido do que imaginava.
Quatro km a diante estava São José de Mipibu, onde dobrei a direita e entrei na BR 101. Passei por toda a movimentação da feira da cidade. O trafego era pesado e numa descida a 40 Km/h e sem acostamento uma carreta passou bem perto de mim, por absoluta falta de espaço. HORROR! :-P
Esta pedalada foi meio diferente para mim, por que desta vez fiz coisas meio incomuns. Eu comi antes de sair, alonguei, me hidratei(uns dois litros!) e usei protetor solar várias vezes durante o passeio. Acho que a idade está me deixando mais sábio(ou menos cabeça dura).
Na BR, em boa parte do caminho segui pela parte duplicada ainda não aberta ao tráfego. Me sentia elétrico, subia as ladeiras na coroa grande a quase 30 Km/h com vento contra! Cheguei a fazer isso falando ao celular.
Logo já estava em Parnamirim e percebi que poderia chegar em casa as 13 horas. Isso me deu ainda mais gás. Pedalava forte e constante, tudo era alegria e vida.
Nos últimos quilômetros comecei a sentir um pouco de frio no corpo todo. Insolação, pensei. Em casa, depois de beber um litro de suco de manga em menos de 3 minutos e de tomar um banho frio, deitei, me cobri e dormi.
Tive ótimos sonhos.
posted by RODRIGO ARNOUD
11:29 PM
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