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Sexta-feira, Julho 27, 2007
Uma Morte Verdadeira
Atualmente existem 357 línguas com menos de 50 falantes, quase todos idosos. Destas 46 tem apenas um último falante nativo.
posted by RODRIGO ARNOUD
8:37 AM
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Terça-feira, Julho 24, 2007
As Melhores Palavras
"Aos governantes e à família brasileira,
Perdi o meu único filho.
Ninguém, a não ser outra mãe que tenha passado por semelhante tragédia, pode ter experimentado dor maior.
Mesmo sem ter sido dada qualquer publicidade à missa que ontem oferecemos à alma de meu filho, Luís Fernando Soares Zacchini, mais de cem pessoas compareceram. Em todos os olhos havia lágrimas. Lágrimas sinceras de dor, de saudade, de empatia. Meus olhos refletiam todos os prantos derramados por ele, por mim, por seu filhinho, por sua esposa, por todos parentes e amigos. Por todos os sacrificados na catástrofe do Aeroporto de Congonhas.
Há muito eu sabia que desastres aéreos iriam acontecer. Sabia que os vôos neste país não oferecem segurança no céu e na terra. Que no Brasil a voracidade de vender bilhetes aéreos superou o respeito à vida humana. A culpa é lançada sobre um número insuficiente de mal remunerados operadores aéreos ou sobre as condições das turbinas dos aviões. Um Governo alheio a vaias é responsável pelo desmonte de uma das mais respeitáveis e confiáveis empresas aéreas do mundo, a VARIG, em benefício da TAM, desde então, a principal provedora de bilhetes pagos pelo Governo. Que a opinião pública é desviada para supostos erros de bodes expiatórios, permitindo aos ambíguos incompetentes que nos governam continuarem sua ação impune. Que nossos aeroportos não têm condições de atender à crescente demanda de vôos cujo preço é o mais caro do mundo. Quando os usuários aguardam uma explicação, à falta de respeito ao cidadão juntam-se o escárnio e a cruel vulgaridade de uma ministra recomendando aos viajantes prejudicados que relaxem e gozem. Assuntos de alcova não condizentes com a reta postura moral e respeito exigidos no exercício de cargos públicos. Assessores do presidente deste país eximem-se da responsabilidade e do compromisso com a segurança de nosso povo exibindo gestos pornográficos. Gestos mais apropriados a bordéis do que a gabinetes presidenciais. Ao invés de se arrependerem de uma conduta chula, incompatível com a dignidade de um povo doce e amável como o brasileiro, ainda alardeiam indignação, único sentimento ao alcance dos indignos. Aqueles que deveriam comandar a responsabilidade pelo tráfego aéreo no Brasil nada fazem exceto conchavos. Aceitam as vantagens de um cargo sem sequer diferenciarem caixa preta de sucata. Tanto que oneraram e humilharam o país ao levar o material errado para ser examinado em Washington. Essas são as mesmas autoridades agraciadas com louvor e condecorações do Governo em nome do povo brasileiro, enquanto toda a nação, no auge de sofrimento, chorava a perda de seus filhos.
Tudo isto eu sabia. A mim, bastava-me minha dor, bastava meu pranto, bastava o sofrimento dos que me amam, dos que amaram meu filho. Nenhum choro ou lamento iria aumentar ou minorar tanta tristeza. Dores iguais ou maiores que a minha, de outras mães, dos pais, filhos e amigos dos mortos necessitam de consolo. A solidariedade e amor ao próximo obrigam-nos a esquecer a própria dor.
Não pensei, contudo, que teria de passar por mais um insulto: ouvir a falsidade de um presidente, sob a forma de ensaiadas e demagógicas palavras de conforto. Um texto certamente encomendado a um hábil redator, dirigido mais à opinião pública do que a nossos corações, ao nosso luto, às nossas vítimas. Palavras que soaram tão falsas quanto a forçada e patética tentativa que demonstrou ao simular uma lágrima. Não, francamente eu não merecia ter de me submeter a mais essa provação nem necessitava presenciar a estúpida cena: ver o chefe da nação sofismar um sofrimento que não compartilhava conosco.
Senhores governantes: há dias vejo o mundo através de lágrimas amargas mas verdadeiras. Confundem-se com as lágrimas sinceras e puras de todos os corações amigos. Há dias, da forma mais dolorosa possível, aprendi o que é o verdadeiro amor. O amor humano, o Amor Divino. O amor é inefável, o amor é um sentimento despojado de interesse, não recorre a histriônicas atitudes políticas.
Não jorra das bocas, flui do coração!
E que Deus nos abençoe!
Adi Maria Vasconcellos Soares
Porto Alegre, 21 de julho de 2007."
posted by RODRIGO ARNOUD
10:59 PM
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Segunda-feira, Julho 23, 2007
Não dá!
Há muitas coisas boas nos jogos Panamericanos. E há algumas coisas tristes e que nos fazem pensar
A torcida é uma questão complicada. Suspeito que a maioria não está costumada a ir a nenhuma exibição esportiva, os outros só conhecem os estádios de futebol. Com isso as pessoas simplesmente não sabem se comportar numa competição de Judô, Ginástica Artística, etc.
Lamentável o comportamento das torcidas no Judô e na Ginástica Artística. A ponto de Daniel Hipólito ter ido implorar que os torcedores parassem de vaiar os atletas dos EUA. Ninguém vaia em competições deste tipo.
Os acontecimentos de ontem, quando a platéia começou a xingar os juízes e depois jogou copos nos tatames, são uma mostra mais perfeita da falta de educação da torcida.
O pior é o pessoal ainda fica querendo sediar Olimpíada. Fala sério! Não temos estruturas para uma coisa dessas. Já sabíamos que não temos estrutura financeira nem estrutura de gestão e organização. Agora ficou muito claro que não temos estrutura de educação das pessoas para um evento desta grandeza.
posted by RODRIGO ARNOUD
3:05 PM
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Domingo, Julho 22, 2007
Perguntando-me
"If you're so funny
Then why are you on your own tonight ?
And if you're so clever
Then why are you on your own tonight ?
If you're so very entertaining
Then why are you on your own tonight ?
If you're so very good-looking
Why do you sleep alone tonight ?
Love is Natural and Real
But not for such as you and I, my love
Not tonight, my love
Morrissey
posted by RODRIGO ARNOUD
1:13 PM
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Sexta-feira, Julho 20, 2007
Cadê o Lula?
O presidente Lula é o chefe do governo do Brasil, mas também é o chefe de estado.
Já se passaram 3 dias desde a queda do avião da TAM em Congonhas. E nenhuma palavra do presidente Lula. Ele deve estar fazendo mil cálculos políticos e é provável que se dirija a nação neste final de semana.
Muito distante presidente. E muito tarde.
Ao chefe de estado cabe consolar, unir, dar esperança ao país em momentos de luto e de dor. O Lula personifica este cargo. Cabe a ele representar a nação. Não importa se ele vai receber vaias, se vai receber aplauso ou se vão negar a mão para ele apertar. É o trabalho dele!
Também não vale o argumento de que ele não tem nada a ver com o acidente. Mesmo que não tivesse! Depois dos atentados em seus países o Rei da Espanha e os presidentes Clinton e Bush foram falar à imprensa prestar seus respeitos às famílias das vitimas e anunciar suas ações! Dizer que o FHC também não se pronunciou no acidente de 1998 não é desculpa. Churchill teve que derrotar a mais formidável máquina de guerra da História e não ficou culpando Chamberlain pelos erros que levaram à guerra.
Se Lula tivesse pego um avião imediatamente e pousado em congonhas, teria se mostrado um grande líder, digno dos milhões de votos que recebeu.
posted by RODRIGO ARNOUD
2:07 PM
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Quarta-feira, Julho 18, 2007
Não foi acidente!
Acidentes aéreos normalmente acontecem como resultado de uma seqüência de erros e defeitos. Neste caso de Congonhas, houve também um conjunto de fatores que o transformam num crime.
- O Governo Lula não quis peitar as dificuldades de mudar o sistema para melhor. Lula não quis iniciar a mudança de controle de tráfego para os civis para não melindrar os militares. Não teve pulso para começar a reorganização das rotas aéreas. Desmantelou as empresas reguladoras, para que a politicagem pudesse correr solta. Desde o acidente da GOL no ano passado, as inúmeras esferas do governo se esmeraram em tratar o caso apenas pelo viés político, usando argumentos técnicos apenas para acusar seus inimigos. Políticos assassinos que juraram de pés juntos, na segunda feira mesmo, que a pista era 100% segura e mais uma ministra do turismo (?!) que ao ser perguntada sobre os meses sem solução para o caos aéreo manda os passageiros relaxar e gozar ( ou seja, mandou os brasileiros se F#¢&£%!). A acusação também vale para a oposição.
- As empresas aéreas (hoje praticamente um duopólio) não têm interesse em reorganizar as rotas aéreas para desafogar Congonhas e Guarulhos. Com isso os aeroportos são forçados a operar muito além do limite. Também usam seu poder para influenciar o governo para favorecer seus interesses econômicos.
- O comando da Aeronáutica estava mais interessado em manter o seu status quo do que em melhorar os serviços prestados à população. O Brasil é um dos poucos países do mundo no qual o controle de tráfego civil é feito pelos militares. Em outros países existem sempre dois controles de tráfego separados (que podem se ajudar em caso de necessidade). A falta de confiança entre os controladores, pilotos e os altos oficiais gerou um clima de tensão que certamente piorou o serviço como um todo. Serviço este que tecnicamente já era ruim, tendo em vista os anos sem investimentos na parte técnica nem na ampliação do número de controladores nem no salário e treinamento destes.
- Como quase tudo deste pais, as obras foram feitas da pior maneira possível. Para começar privilegiaram os aspectos cosméticos. Congonhas já opera muito além da sua capacidade a anos. Mas as melhorias no aeroporto começaram pela parte de embarque, pela instalação de mais lojas etc. Só isso já mostra que no Brasil os aspectos técnicos são negligenciados em nome da beleza. Resultado da pressão que a mídia e os passageiros fizeram. Além disso, apesar de da clara falta de condições de operação deste aeroporto, ninguém quer que Congonhas seja fechado, afinal ele esta perto do centro e Guarulhos fica muito longe.
- Não deve ser coincidência que os serviços aéreos brasileiros eram considerados um dos melhores do mundo quando somente a classe média alta podia viajar de avião. Pobre só entrava em avião para fazer a limpeza. Nos últimos anos ouve uma popularização do transporte aéreo, menores preços e maiores créditos abriram a possibilidade para que milhões de brasileiros que nunca voaram pudessem voar. Hoje voar no Brasil já se parece como é o transporte público em qualquer grande cidade. O Ministro Mantega, já disse isso com outras palavras, dizendo que os atrasos e a péssima qualidade do serviço são resultado do crescimento do país. Parece que na opinião dele serviços “para todos” devem ser serviços ruins.
- Os serviços de engenharia devem ter sido mal feitos. O recapeamento foi entregue antes da hora, por motivos políticos certamente. Mesmo assim as empreiteiras deviam se a ter a padrões técnicos que são obrigatórios no mundo inteiro. Os fóruns de pilotos e técnicos a tempos alertam que a pista simplesmente não tem condições de receber aviões grandes em dias de chuva. Suas opiniões técnicas foram desconsideradas pelas conveniências já citadas.
Enfim, um retrato do Brasil, com todas as suas cores e absurdos. Não ficaria surpreso se depois de muitas “rígidas investigações”, CPI’s, troca de acusações, a culpa da queda for jogada no colo, carbonizado, do piloto.
posted by RODRIGO ARNOUD
2:13 PM
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Sábado, Julho 14, 2007
Coragem
Nos últimos anos, a prefeitura de Paris começou a fechar as margens do Sena para os carros nos finais de semana, construiu 371 km de ciclovias, diminuiu e fechou muitas ruas do centro e investiu cerca de R$ 1 bilhão para reduzir a circulação de automóveis na cidade.
Resultados? Redução de 20% no fluxo de carros desde 2001. Aumento de 46% no número de ciclistas. Menos poluição e acidentes de transito e melhoria geral na qualidade de vida da população.
E não para por ai!
Dia 15 de julho Paris vai inaugurar um projeto com 750 estacionamentos e 10.600 bicicletas para alugar. Até o final do ano espera-se ter um bicicletário a cada 300m e 200.000 usuários regulares.
O sistema vai exigir um prévio registro do usuário e uma taxa que pode ser anual, mensal ou semanal(já pensando nos turistas). A pessoa pode pegar a bicicleta em um estacionamento e devolver em outro. Viagens de menos de 30 minutos serão gratuitas. Acima disso será cobrado 1 EURO, menos que uma passagem de trem ou de metrô.
O projeto chama-se “Velib” (de bicicleta e liberdade em francês).
Bertrand Delanoë , prefeito de Paris, mostra coragem e visão, ao peitar o lugar comum e abrir uma guerra franca contra o uso do carro como principal meio de transporte nos centros urbanos. Não ficou esperando pesquisas de opinião nem tem rabo preso a interesses individuais. Assim como os prefeitos de Bogotá, Londres, Amsterdã e outras que tiveram a capacidade de pensar as cidades como espaços de convivências para os seus habitantes (e não um imenso estacionamento), Bertrand vai colher muitos bons frutos políticos.
Veja o vídeo da BBC Brasil (Real Player)
posted by RODRIGO ARNOUD
2:16 AM
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Quinta-feira, Julho 12, 2007
O JOGO
Imagine um jogo com as seguintes características:
1 -Você tem que encontrar padrões em imagens;
2 - Estará participando de um projeto científico e escala global;
3 - Neste “jogo” você terá o privilégio de ser o primeiro ser humano a ver aquelas imagens e o primeiro a associar alguma informação a elas.
4 - Agora imagine que este “jogo” é fácil e simples!
Pois este “jogo” existe! Conheça o GalaxyZoo.org
A idéia é a seguinte.
Atualmente os telescópios conseguem encontrar e fotografar muito mais galáxias do que os astrofísicos conseguem analisar. Eles tentaram ensinar os computadores a fazer uma triagem básica. Separando as galáxias em tipos simples: Espiral e Elíptica.
Mas o fato é que o cérebro humano está muito melhor aparelhado e treinado para reconhecer padrões que os atuais computadores.
Então criaram um site no qual imagens de galáxias distantes são exibidas e os usuários podem classificá-las segundo as tais características básicas, ou se é alguma outra coisa. Antes de começar você passa por uma breve introdução e um testinho para avaliar se você aprendeu direito (é tudo muito fácil).
Dai você cria uma senha para você e já pode começar a analisar as imagens. De maneira geral você vai gastar menos de 10 segundos para cada imagem. Daí clica no botão adequado e automaticamente outra imagem surge.
Simples assim!
Se você analisar uns 20 imagens por dia (coisa de 5 minutos), ao final de 10 dias terá visto 200 imagens da natureza 100% originais e inéditas. Um privilégio que poucos têm e para o qual costumam pagar muito caro.
posted by RODRIGO ARNOUD
4:27 PM
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Sexta-feira, Julho 06, 2007
ACUSA, PRENDE e MATA
Pretendia deixar o post abaixo alguns dias, mas é impossível ficar calado vendo estas imagens.
O vigia Rubineu Nobre chega de moto num posto de gasolina e é abordado por policiais que pedem que ele e o amigo levantem as camisas para mostrar que não estavam armados. Até ai tudo bem. Mas depois, sem motivo algum o Cabo PM André Luiz da Fonseca agride o vigia com um tapa na cara.
Rubineu não aceita a humilhação e se revolta. Desarmado tenta agredir o policial que aponta uma pistola e atira no peito do vigia que morre na hora.
Um retrato acabado do Brasil. Policiais mal treinados, verdadeiros assassinos fardados que se sentem a vontade para humilhar, agredir e matar. Reparem na calma deles depois do crime, seguros de que nada lhes acontecerá.
A diferença é que tudo foi filmado. Se assim não fosse certamente o relatório iria apontar alguma estória inventada. Rubineu acabaria virando o bandido !
Imaginem quantas vezes isso acontece todas as semanas no Brasil.
As imagens são fortes.
posted by RODRIGO ARNOUD
2:37 PM
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ILEGALIDADE É UM MAL QUE PROTEGE AS DROGAS NO MUNDO
Milton Friedman*
Caro Bill Clinton,
Nas palavras eloqüentes de Oliver Cromwell, "eu lhe suplico, nas entranhas de Cristo, a pensar na possibilidade de que esteja errado" sobre o curso que o senhor e o presidente Bush nos exortam a seguir para combater as drogas. O caminho proposto de mais força policial, mais prisões, utilização de força militar em países estrangeiros, punições mais duras para consumidores de drogas e toda a panóplia de medidas repressivas só podem tornar pior uma má situação. A guerra contra as drogas não pode ser vencida por essas táticas sem minar a liberdade humana e a liberdade individual que o senhor e eu apreciamos.
0 senhor não errou ao acreditar que as drogas são um flagelo que está devastando a nossa sociedade. Não errou ao acreditar que as drogas estão desmantelando a nossa estrutura social, arruinando as vidas de muitos jovens e impondo pesados custos a alguns dos menos favorecidos entre nós. Não errou ao acreditar que a maioria do público partilha de suas preocupações. Em suma, não errou na finalidade que procura alcançar.
Seu erro é não reconhecer que as próprias medidas que defende são uma grande fonte dos males que deplora. Sem dúvida, o problema é a demanda, mas não é apenas a demanda, é a demanda que precisa se realizar através de canais reprimidos e ilegais. A ilegalidade cria lucros obscenos que financiam as táticas assassinas dos barões de drogas; a ilegalidade conduz à corrupção das autoridades que fazem cumprir a lei; a ilegalidade monopoliza os esforços das forças legais honestas de modo que se privam de recursos para combater os crimes mais simples de roubo, furto e agressão.
As drogas são uma tragédia para os viciados. Mas criminalizar seu consumo transforma a tragédia em um desastre para à sociedade, tanto para os viciados como para os não-viciados. Nossa experiência em proibição de drogas é uma repetição da nossa experiência em proibição de bebidas alcoólicas.
Complemento com textos extraídos de uma coluna que escrevi em 1972 sobre "Proibição e drogas".
"O principal problema na época era a heroína proveniente de Marselha; hoje, é a cocaína da América Latina. Hoje, o problema também vem mais grave do que há 17 anos: mais viciados, mais vítimas inocentes; mais traficantes de drogas, mais autoridades fiscalizadoras do cumprimento da lei; mais dinheiro gasto para fazer cumprir a proibição, mais dinheiro gasto para contornar a proibição.
Se as drogas tivessem sido descriminalizadas nos anos 70, o "crack" nunca teria sido inventado (foi inventado porque o elevado custo de drogas ilegais tornou lucrativo fornecer uma versão de preço mais baixo) e hoje haveria bem menos viciados. As vidas de milhares, talvez centenas de. milhares de vitimas inocentes, teriam sido salvas, e não apenas nos Estados Unidos. Os guetos das nossas principais cidades não seriam terras-de-ninguém infestadas por drogas e crime. Menos pessoas estariam presas, e menos prisões teriam sido construídas.
A descriminalização das drogas é ainda mais urgente hoje do que em 1972, mas precisamos reconhecer que os danos causados nesse meio tempo não podem ser eliminados, sem dúvida não imediatamente. Adiar a descriminalização só agravará a situação e fará com que o problema pareça mais intratável.
O alcoolismo e o tabagismo provocam muito mais mortes em viciados do que as drogas. A descriminalização não nos impediria de tratar as drogas como tratamos agora do alcoolismo e do tabagismo: proibir a venda de drogas a menores, banir a publicidade de drogas e medidas semelhantes. A fiscalização do cumprimento dessas medidas poderia ser feita, o que não é o caso da proibição pura e simples. Além disso, se mesmo uma pequena fração do dinheiro que agora gastamos na tentativa de fazer cumprir a proibição de drogas fosse destinada ao tratamento e reabilitação, em um clima de compaixão, em vez de punição, a diminuição do consumo de drogas e dos danos causados aos viciados poderia ser dramática. "
Este pedido vem do fundo do meu coração. Cada amigo da liberdade, e sei que o senhor é um deles, deve estar revoltado como estou pelas perspectivas de transformação dos Estados Unidos em um acampamento armado, pela visão de prisões repletas de consumidores casuais de drogas e de um exército de autoridades investidas de poderes para invadir a liberdade dos cidadãos com base em evidência tênue. Um país em que derrubar aviões não identificados, “por suspeita", pode ser considerado seriamente uma tática de guerra às drogas não é o tipo de Estados Unidos que o senhor ou eu queremos legar à geração futura.
*Milton Friedman é prêmio Nobel de Economia e pesquisador sênior do Hoover Institution, Stanford University. Pensador conservador que tem uma visão realista do problema das drogas e principalmente da “Guerra às Drogas”
posted by RODRIGO ARNOUD
1:50 AM
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Quinta-feira, Julho 05, 2007
Apocalipse
Ainda que a fantasia publicitária venda o exato oposto, dirigir na cidade consiste basicamente em andar e parar a cada 2 ou 3 minutos. Acelera, primeira, segunda, terceira, reduz e freia. Acelera, primeira, segunda. Buzina. Freia. Acelera, primeira, segunda...
Carro já paga IPVA mas, como no dia-a-dia anda cada vez mais devagar, daqui a pouco também vai pagar IPTU!
Apocalipse motorizado dizendo o óbvio, mas que está oculto para muita gente.
Não perca esta situação vivida por um ciclista. Já passei por coisa parecida aqui em Natal!
posted by RODRIGO ARNOUD
1:43 AM
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