Acabei de ver Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón e estou chocado!
O filme é bastante acima da média. Excelente para dizer o mínimo. Trata-se de uma distopia num futuro próximo, quando todas as mulheres do mundo todo pararam de gerar bebês. Isso levou a um gradual destruição da sociedade e o surgimento de regimes totalitários, em especial na Inglaterra que é o único país a se manter em pé. Milhares de refugiados tentam entrar e são deportados ou mortos por um governo neo fascista.
As cenas de ação são impressionantes. Sabe a introdução de Soldado Ryan? É fichinha perto do que o Cuarón e seu diretor de fotografia conseguem criar! Primeiro por que há cenas de mais de 15 minutos em plano seqüência, depois por que há um agravante emocional que torna tudo ainda mais chocante.
Outro mérito do filme é sua música maravilhosa e altamente emotiva. Além disso, tem muita coisa do pop/rock mundial da melhor qualidade.
A direção de arte também é excelente. Tudo é cinza, escuro, sujo, em desintegração. Há muitas citações sobre a arte e a história, em que estar muito atento para sacar.
Mas o que mais mexeu comigo foi o fato de ver que todas aquelas coisas não são o nosso futuro. São o nosso presente! A vida no Iraque, em Darfour, na Chechenia, no Afeganistão, ou numa favela do Rio de Janeiro devem ser iguais ao que se vê no filme. Alias, muitas cenas parecem ter sido inspiradas diretamente no Iraque e nas prisões de guerra dos EUA.
É um filme muito, muito triste. Mas que pode trazer algum fio de esperança, dependendo do espectador.
Ps: Notem o Porco Voador.
Ps2: Notem as Havaianas(elas mesmo!)
O sol da tarde estava direto na minha cara. Calor abafado. O sinal fechou e eu estava lá no final da fila. Olhei para um lado, para o outro e vi muitas lojinhas, entre elas um Sebo.
Um sebo, por que não? Não tinha pressa mesmo. Estacionei e fui ver que coincidências me esperavam.
A sebista (ou sebesta?) via TV num alto volume. Olhamos um para o outro. Abri a boca ainda sem saber o que dizer.
- Tem Grande Sertão Veredas?
- Não tenho nada do Rosa. Alias é muito difícil ter. Quando aparece vendo logo.
Mergulhei nas empoeiradas e bagunçadas prateleiras. De cara encontrei Vento Solar, livro de contos do Artur Clarke. Neste livro há alguns dos contos mais interessantes do autor e outros que nunca ouvi falar.
Mais adiante, numa pilha de almanaque Seleções achei o fenomenal Histórias Extraordinárias(1840), de Edgar Alan Poe. Um livro seminal do autor que praticamente criou os gêneros de Fantasia, Ficção Científica e de Mistério, em suas formas modernas. Um livro de contos com algumas das histórias mais assustadoras que já li. Pena que depois descobri que esta edição não contém todos os contos. Falta pelo menos o mais assustador deles 'Manuscrito encontrado numa garrafa".
Já estava bem feliz e voltando para a porta vi Contos Selecionados de Machado de Assis. Além do "Alienista" (que já tinha) vários outros que desconhecia. De qualquer maneira nunca li algo do Machado de Assis que não gostasse.
Com raras exceções todos os contos são curtos, poucas páginas de muito estilo, inteligência e/ou humor. Para ler no ônibus, no consultório, antes de dormir...
Preço destes Três Contos? Doze reais!
E ainda tem gente que diz que não lê por que os livros são caros ou que não têem tempo.
YouTube, a Nova Notícia e a Liberdade de Expressão
A quantidade de celulares no mundo superou a marca de 2,5 Bilhões em Setembro de 2006, tendo o Brasil cerca de 97 milhões de linhas habilitadas ( quase 52 cel/100 hab). É possível que o setor já esteja batendo com a cabeça no teto. Daí que para continuar ganhando dinheiro as fábricas vão equipar mesmo os celulares simples com câmeras capaz de fotografar e filmar. Parece natural que cada vez mais as pessoas comecem a gerar conteúdo multimídia, até por que é mais fácil manter um fotolog ou subir um vídeo para o Youtube do que escrever um blog.
As pessoas querem e gostam de compartilhar informação. Os acontecimentos dos últimos dias só comprovam este conceito.
Mesmo num ambiente altamente controlado, alguém gravou a execução de Saddam Hussein e distribuiu na Internet. O fato em si já teria graves conseqüências políticas. Mas ver como Saddam foi morto fez com que Bush filho e o governo fantoche do Iraque se tornassem cúmplices em transformar um genocida num herói e num mártir.
A cratera que surgiu no metrô de São Paulo foi extensamente coberta pela grande mídia, mas algumas das imagens mais impressionantes foram feitas por celulares e câmeras digitais e prontamente publicadas no YouTube.
Cicarelli processou o YouTube para que vídeo dela com o namorado fosse tirado do ar. Venceu mas não levou. Os vídeos continuam dispoíveis em muitos outros lugares da Internet.
Antes que você comece e pensar - "mas só poucos brasileiros acessam a internet" - lembro que isso também deve mudar em pouco tempo. Minha mãe, que sempre foi muito reticente com computadores, decidiu comprar um PC. Encontramos máquinas completas por menos de 900 reais em 10 vezes no cartão e com internet grátis por um ano.
Impacto grande também terá no entendimento do que é Liberdade de Expressão. Quem quis viu a morte de Saddam, as comunidades falando mal do Rubinho ou a transa da Cicarelli. Eu não vi. Não me interessam estes detalhes mórbidos ou sensacionalistas. Mas notem a diferença de abordagem. Ninguém quis processar o YouTube por mostrar o enforcamento de Saddam. E olhe que os interesses envolvidos eram muito maiores.
Podem processar os YouTube e os Orkut da vida. Para cada endereço fechado, outros serão abertos, mais mensagens de e-mail serão enviadas. Se nossas leis não se atualizarem, criarão teias e ¿não pegarão¿.
Passeando pelo Google Earth notei uma coisa curiosa. Toda aparte sul da cidade de Natal(onde moro) tem uma resolução muito ruim, enquanto que a parte norte tem uma resolução de uns 200 metros.
Qual a explicação? Bem, o que há na região norte que mereça mais destaque que a região sul? Fiquei com esta duvida na cabeça um tempo até perceber que a pergunta correta era: O que há na região sul que não deveria ser mostrado? (não, não é a minha casa!)
A resposta é muito fácil: A Base de lançamento da Barreira do Inferno!
Num primeiro momento achei que era uma besteira, mas resolvi tirar a prova e fui olhar a base de lançamento de Alcântara, no Maranhão. Imagina o que deu? Péssima resolução também!
Haveria nisso uma ação deliberada no governo Brasileiro? As bases aéreas de Santa Cruz(RJ) e de Anápolis(GO) igualmente são ruins de ver. Em todos estes casos, existem áreas perto que apresentam excelente resolução.
Resolvi pesquisar no exterior e descobri que as bases de lançamento de Cabo Canaveral(EUA) e de Baikonur(Rússia) tem excelente visibilidade.
Por outro lado, as bases de lançamentos de ICBMs(mísseis nucleares) da Rússia tem uma resolução muito, muito ruim. Mas o controle que os russos devem ter sobre estas coisas deve ser incomparavelmente maior que o nosso. As bases norte americanas são fáceis de achar e tem uma visibilidade boa(não excelente).
Enfim, pode ser apenas uma coincidência que Natal esteja escondida no Google Earth. Ou pode ser algo mais...
Obs: A famosa Área 51 tem uma boa visualização... o que não deixa de ser muito suspeito!
O show da Marisa Monte foi uma prova da liberdade que a artista se permite. Não bastasse ser uma das maiores vendedoras de discos do pais sem nunca ter isso a Faustões e Gugus da vida, não bastasse numa época de crise grave no mercado fonográfico ela lançar dois CDs ao mesmo tempo, ela nos apresenta este show!
Completamente fora das regras atuais para musica popular, parecia mais uma apresentação de música erudita, ou pelo menos do Madredeus.
Dez instrumentistas, tendo na linha de frente um cello, um fagote, um violino e trompete e flugel horn. Todos perfilados e com suas partituras. Atrás, uma bateria minúscula, 2 violões, um cavaquinho e uma quantidade indeterminada de teclados. Todos de preto.
Nada de telão, luzes coloridas, vari-Lite¿s, nem luzes na platéia. O show foi monocromático, um tom amarelado para todas as (poucas) luzes. Só para ter uma idéia, a primeira e a última músicas foram apresentadas totalmente no escuro! De efeitos mesmo só umas caixas altas que se moviam sobre trilhos e tinham uma de suas faces luminosas e 3 telas de baixa resolução nas quais eram exibidos algumas poucas imagens em algumas músicas.
O som não estava ruim, mas um ginásio não é o lugar adequado para um show com tantas sutilezas musicais. Daí que para ouvir o fagote, por exemplo, fica quase impossível. Mas os sons sintetizados, que eram poucos, estavam excelentes.
O show centrou-se fortemente nos discos novos, mais uma ousadia. Foram apenas uma 4 ou 5 musicas antigas. Isso de uma artista que poderia facilmente tocar 3 horas só com seus sucessos.
O mais impressionante para mim foi a impressão de que aquele ginásio lotado estava gostando muito daquele show quase minimalista.
Eu gostei bastante do show e vou baixar as músicas.
Hoje o YouTube foi bloqueado e depois liberado pelos nossos juizes. O que mostra primeiro o desconhecimento destes senhores sobre o assunto. Segundo, e muito pior, que nossas instituições são muito frágeis e que a liberdade de expressão ainda é uma quimera.
Para compensar, achei este engraçadissimo filme que mostra como a "terra da liberdade" invadir(i)á o Brasil.