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Todos sabemos como começa. Como termina depende de cada um de nós.

Arnoud/Male/26-30. Lives in Brazil/Rio Grande do Norte/Natal/Potilândia, speaks Portuguese and English. Spends 20% of daytime online. Uses a Normal (56k) connection.
This is my blogchalk:
Brazil, Rio Grande do Norte, Natal, Potilândia, Portuguese, English, Arnoud, Male, 26-30.

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Percorrendo Horizontes (minha página)

 

Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005


Para não perder o costume...

Dia desses, numa casa americana...
- Pai, por que o nosso país invadiu o Iraque? - perguntou Billy, de 08 anos
- Lá tinha armas de destruição em massa.
- Mas a TV disse que os inspetores não acharam nada.
- Os iraquianos esconderam. E nosso governo sabe que invasões funcionam mais que inspeções.
- Se tinha tais armas, por que não usaram quando atacamos?
- Para que ninguém soubesse que eles têm armas. Preferem morrer a defender-se.
- Como um povo pode preferir morrer a defender-se?
- A cultura deles é diferente. Preferem morrer e ir logo para junto de Alá. E lembre-se que Saddam Hussein era um cruel ditador.
- Como cruel?
- Torturava e matava gente.
- Como na China Comunista?
- A China é diferente, seu povo trabalha para nossas empresas, reduzindo os custos de produção e aumentando nossos lucros.
- Mas a China não é comunista?
- É.
- E os comunistas não são maus?
- Só os comunistas da Coréia do Norte e de Cuba, que prendem e torturam gente.
- Como fazemos em Bagdá?
- É diferente. Nós prendemos e torturamos em defesa dos direitos humanos e da liberdade.
- Foi o que fizemos no Afeganistão?
- Lá foi por causa do Osama Bin Laden
- Ele é afegão?
- Não, é saudita.
- Como 15 dos 19 seqüestradores suicidas do 11 de setembro ?
- Sim.
- E por que não invadimos a Arábia Sadita?
- Porque o governo de lá é nosso amigo.
- Como era Saddam em 1980, ao combater o Irã?
- Sim, quem combate nosso inimigo é nosso amigo.
- E porque temos inimigos?
- Porque muitos povos têm inveja de nosso progresso.
- Mas, pai, inveja não é problema do invejado?
- O invejoso de hoje pode ser o terrorista de amanhã.
- O que é um terrorista?
- É uma pessoa que não pensa como nós pensamos.
- Mas não defendemos a liberdade de opinião?
- Só a que não vai contra a nossa opinião.
- O Iraque nos atacou?
- Não, mas agora fazemos guerras preventivas, evitamos o mal antes que a semente dele caia na terra.
- Nós é que produzimos as armas empregadas nas guerras?
- Boa parte delas, pois a guerra favorece a nossa economia.
- Quer dizer que ficamos ricos com a morte de outros povos?
- É a lógica de mercado.
- Mas, pai, uma vida humana não vale mais que um míssil? Não foi isso que você me ensinou?
- Teoricamente sim, mas na prática não é bem assim. Para o mercado, só tem valor a vida que está dentro dele, a do consumidor.
- E as outras vidas ?
- Filho, nada em excesso é bom. Muito vento causa furacão, muita água, enchente, muitas bocas, fome.
- Quer dizer que nós matamos como o Saddam e o Talibã matavam?
- Nós matamos a favor da liberdade; eles, contra.
- Inclusive crianças como eu?
- Você não é como elas. Não temos culpa de os nossos inimigos terem filhos.
- Deus aprova isso?
- Sim, nosso presidente fala diretamente com ele.
- Como assim?
- Ele escuta a voz divina em sua cabeça. Deus o elegeu para fazer a
guerra do bem contra o mal.
- Mas Deus e Alá não são a mesma pessoa?
- Billy, chega de perguntas. E, por favor, não confunda o nosso Deus com o deles.



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Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005


Ficção ou Realidade?

Hoje estava lendo um livro de contos do Robert A. Heinlein, famoso escritor de Ficção Científica. As histórias em questão tratavam dos impactos que as descobertas cienfíficas causavam na sociedade estadunidense dos anos 40 e 50. Em especial o Conto "Faça-se a Luz", mostra que se há uma invenção que pode realmente alterar o modo de produção trazendo benefícios para muitos, menos para aqueles que ganham atualmente com suas tecnologias pouco eficientes e eficazes, sempre haverá uma enorme pressão para que se deixe tudo como está, de modo a não incomodar os poderosos de plantão.

Pois hoje mesmo cheguei à reportagem sobre um tal de Thomas Renatus Fendel e de sua luta para que o governo brasileiro homologue sua invenção, um motor que funciona, e muito bem, movido a óleo de soja.

O cara já produziu e teve apreendidos pela polícia rodoviária, dois carros e um caminhão que funcionavem com este combustível que além de não poluir, efetivamente retira poluição da atmosfera, é barato e de fácil produção. Sua empresa oferece diversos produtos tais como geradores que funcinam com o tal óleo vegetal e ele tenta convencer ao governo que suas propostas são eficazes.



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Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005


Os Filmes da Semana

Waking Life

Eu não sei se já falei deste filme aqui antes, mas de qualquer forma está na lista.

Trata-se de um filme original em muitos sentidos. A começar pelo fato de ter sido filmado e depois colorido quadro a quadro por computador. Isto o torna visualmente impactante, mas ainda não é o melhor do filme.

Trata-se de uma longa série de monólogos ou diálogos de diversas pessoas com o mesmo personagem em situações oníricas nas quais não ha muita explicação direta sobre "onde" se está e "o que" se está.

O Filme é reflexão pós moderna sobre a condição humana em tempos de excesso de informação e distanciamento da família e da religião.

Gostei muito do filme e achei muito bonita e bastante delicada a cena final.

Recomendo aos menos tradicionalistas e mais cabeças.


A Professora de Piano

Eu tinha lido, a tempos, muito bons comentários às atuações deste filme. Por isso até fiz questão de arriscar pega-lo na locadora e ver com o pessoal. Coisa que raramente faço. Filmes menos conhecidos eu prefiro ver sozinho para evitar confusão.

Vou direto ao ponto, o filme não presta!

Sim, há mesmo excelentes atuações de Isabelle Huppert no papel principal e de Walter Klemmer como coadjuvante, mas o filme é uma daquelas coisas que os intelectuais mal amados adoram falar bem, só por que reflete suas vidas vazias.

O filme ganhou uma penca de prêmios, inclusive o Gran Prix em Cannes, mas é uma obra a tudo que a humanidade tem de ruim, especialmente cineastas como esse tal de Michael Haneke.

Alias, ele já tinha feito um filme que eu gostei bastante Violência Gratuíta, que está a parsecs de distância em termos de qualidade de A Professora de Piano. Mas que tem em comum com este o mesmo interesse pela violência e o estilo seco e direto. Como o cara é Austríaco imagina-se com o que o povo lá ocupa suas cabecinhas.

A história de A Professora de Piano é sobre uma professora de piano que possui uma imensa sexualidade, o que seria bom, mas como tem uma mãe que é o cão, torna-se frustrada, triste, cruel, hipócrita, etc, etc, etc. O que se pode tirar de uma idéia básica como esta? Onde o diretor queria chegar? Eu não sei, mas a maneira como ele faz isso é acintosa.

Um aluno, que não tem a menor idéia de onde está se metendo, se apaixona pela professora e fica no pé dela até que ela o aceite, se ele aceitar sua longa lista de condições. Algumas das cenas mais violentas e deprimentes que já tive o desprazer de assistir. Há muita música bonita, mas aparentemente, com o único objetivo de acentuar o impacto de cenas cruéis sem música alguma.

Sim, todos nós temos nosso lado podre, mas o filme não trata deste assunto, ele apenas se esmera em seu prazer exibi-lo, sem uma proposta, análise ou solução possível. E ainda é conservador ao usar o sadomasoquismo como símbolo de todos os males do ser humano.

Não recomendo a ninguém.


Shrek 2

Já tinha adorado o primeiro filme e este segue na boa trilha do predecessor. Muito original, quebrando paradigmas(ops!) e pegando mais pesado em algumas aspectos dos personagens. Talvez este seja menos fácil por que as referências à cultura pop estadunidense são mais abundantes e menos conhecidas.

O filme desenvolve a idéia original mostrando os possíveis desdobramentos do casamento do Ogro com sua princesa encantada Fiona. A cena do debate entre o Shrek e o rei é excelente. Os diálogos são muito bons e tem o tempo certo. Há novos personagens, com destaque para o Gato de Botas e seus olhos maravilhosamente ternos. Mas quem rouba mesmo a cena é o Burro que mostra toda a força da interpretação do Eddie Murphy, que transparece mesmo através da animação computadorizada.

Tecnicamente o filme é impecável, ótimo para se ver em casa para apreciar alguns detalhes que passariam despercebidos no cinema. A dublagem do Bussunda está muito boa. Pena que vi em VHS, no DVD deve ser ainda melhor.

Volto a dizer que atualmente as animações são as melhores opções para quem gosta de cinema. Os roteiros são consistentes e não tratam o espectador como débil mental.

Recomendo a todos.

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A Casa da Colina

No final de semana passado fui a Capivari de Baixo visitar a família da Sinelma e tivemos a oportunidade de ficar na casa de uma das irmãs dela. A casa fica no interior do município no alto de uma colina bem difícil de subir.

A casa é muito grande e confortável com todos os luxos tecnológicos que se possa desejar, mas seus habitantes não são seres sedentários. Ao contrário são pessoas que gostam da lida nas atividades do campo, plantando e cuidando dos animais.

A paisagem é belíssima, com colinas bem verdes, as casas simples dos vizinhos à distância e os animais pastando. Além disso, de quase todas as janelas da casa de podia ver, no vale abaixo, a cidade de Tubarão. Alias, eles tinham uma potente luneta que permitia ver as pessoas nas sacadas dos prédios a muitos quilômetros de distância. Entre outros exemplos da boa convivência da tecnologia e da via rural era o forno a lenha estrategicamente colocado à frente do forno de micro ondas.

A comida era em boa parte feita lá mesmo, afinal eles tem pequenas plantações de feijão e milho e uma boa horta, além de uma vaca que produz leite suficiente para o preparo de queijo, doces, iogurtes e muitas outras delícias do campo. Tudo muito delicioso.

Pessoalmente tive outras duas experiências curiosas. A primeira delas foi andar de Mobillety. Na minha infância e pré-adolescência eu sempre quis uma dessas motinhas, mas nunca tive uma. Talvez daí venha minhas reticências em relação às motos, pois nunca pude aprender a pilotar. Hoje ando de bicicleta e faço cicloturismo, mas andar num veículo de duas rodas e a motor é algo estranho para mim. Pois então tive a oportunidade de dar uma voltinha e confirmar alguns medos e descobrir outros prazeres destes veículos.

Outra experiência inesperada foi a amizade que desenvolvi com o Apolo, o Rottweiler da família. Eu tenho um certo receio destes cachorros grandes e agressivos. Já tomei carreira de bichos assim mais de uma vez, portanto não tenho boas emoções em relação a eles. Pois o Apolo apesar de enorme era bastante sociável e gostou de mim, chegamos a brincar várias vezes. Os animais em geral costumam gostar de mim, as pessoas chegam a me chamar de São Francisco, mas cães como este não costumam gostar de ninguém.

Eu nunca morei no campo. Eu já morei no mato muitos anos, mas é bastante diferente. Nossa alimentação era toda importada de alguma cidade. Nunca tive o privilégio, por exemplo, de ordenhar uma vaca.

Curiosamente enquanto escrevia este post, peguei para ler um livro chamado Simplicidade Voluntária, de Duane Elgin. Ainda estou no começo, mas me pareceu muito adequado para definir um certo sentimento que tive ao visitar a família da irmã de Sinelma. Noto que não afirmo que eles vivam do modo descrito no livro e sim a sensação que tive ao conviver com eles alguns poucos dias. A idéia de que não precisamos negar as vantagens que o, assim chamado, mundo moderno tem a nos oferecer para vivenciarmos uma existência mais simples e interiormente rica.

Assim que terminar de ler pretendo colocar minhas impressões sobre o livro.

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TILT

O Posto abixo teve um tilt* qualquer e eu não consegui, ou não quis pesquisar a fundo para resolver. Portanto vai ficar na história do jeito que está mesmo.

* Quem lembra de onde vem esta palavra?



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Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005


Esse não ficou devendo!

posted by RODRIGO ARNOUD 7:37 PM



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Terça-feira, Fevereiro 15, 2005


No Minimo!

A revista eletronica Nominimo é a melhor coisa da Internet brasileira em seu gênero.

Hoje por exemplo temos um exclkarecedor artigo sobre os resultados da intervenção estadunidense contra o eixo do mal além de uma entrevista em ficam claras as raizes histórias da divisão social de trabalho entre homens e mulheres.

Há várias outras reportagens e artigos de temas bastante variados, na profundidade certa e numa linguagem agradável e nada empolada.

Vai lá!



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Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005


" O beijo é uma troca de cuspes"

Estas e outras afirmações fazem parte do arsenal de argumentos daqueles que pregam a abstinencia sexual antes do casamento.

São estas mesmas pessoas que estão conseguindo mudar os programa educacionais das escolas e retirando aulas sobre evolução e sobre educação sexual.

Os conservadores estadunidenses estão exagerando, mas como eles tem dinheiro e poder é sempre bom tomar cuidado e duvidar de tudo que vem daquelas bandas.

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Últimas palavras

- Atira se for homem!
- As chances disto acontecer são uma em um milhão.
- BUU! Te assustei!
- Calma gente, eu também sou corintiano! Essa camiseta do Palmeiras não é minha...
- Calma, amigo! Eu sou só o encanador....
- É o fio vermelho! Eu tenho certeza, pode cortar!
- É uma cirurgia simples.
- Calma. Avião é muito mais seguro que automóvel!
- Estes cogumelos não são venenosos. Eu conheço!
- Eu vi o cara fazer isto na televisão!
- Anote aí! Eu vou quebrar o recorde mundial!
- Hei!, essa aí é a minha mochila, seu pára-quedas tá aqui...
- Já fiz antes! Faço de olho fechado!
- Não levo desaforo para casa...
- O que o Padre está fazendo aqui?
- O que acontece se eu apertar este botão?
- Olhe mamãe! Com uma mão só!
- Papai vai consertar, mas você desligou a chave geral do jeito que eu falei, filhinho?
- Pode passar, que não vem ninguém...
- Pula que eu te seguro...
- Que bichinho engraçado!Tem um espinho no rabo!
- Que caminhão?
- Que vela engraçada! O que significa TNT?
- Segura firme que você não cai!
- Sim, já assinei o testamento, por quê?
- Pai, eu tava brincando com aquela bolinha verde e esse pino saiu...
- Tem certeza que seu marido não vai chegar?
- Tranqüilo! Este leão é manso...
- Xxxa comigo! Eu até dirijo melhor quando tô bêbado...

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O Anu Branco




Uma ninhada de Anus Brancos nasceu numa árvore no quintal do vizinho. São cinco pequenas aves e temos acompanhado o seu crescimento nestes últimos dias.

A cada vez que o pai ou a mãe chega com um pequeno inseto no bico a árvore ganha vida com um festival de gorgeios e pios. Aos poucos eles foram crescendo e a ninhada se mantendo unida e viva. Todos juntinhos no meio dos cachos da palmeira.

Hoje de manha encontrei um dos filhotes escondido lá do outro lado da casa, nos fundos do quintal. Como o passarinho chegou lá? Como escapou dos gatos?

Após uma pequena luta conseguimos coloca-lo numa árvore próxima à sua e ele foi aos pulos de volta para o seu lugar.
À tarde outro filhote caiu, ou pulou, e não conseguia voltar para o ninho. Ele perambulou pelo gramado do vizinho e eu fiquei atento espantando os felinos da vizinhança. Os pais pulavam nas árvores chamando o assustado passarinho, mas ele não conseguia subir em nenhuma delas, apesar de saber se esconder muito bem. Aos poucos algo impressionante aconteceu. Começaram a aparecer outros Anus adultos, vários deles se juntaram a chamar e orientar o filhote. Fiquei estático vendo aquela linda cena. Seis Anus gralhando e olhando fixamente para o passarinho como quem dando orientações, mas sem poder fazer nada além de assistir e gritar. Ter um filhos deve ser mesmo outra coisa.

Depois de um tempo, quando o Anuzinho ficou numa folhagem sobre o muro, eu o peguei e coloquei numa árvore e ele subiu velozmente. Enquanto segurava o bichano senti seu coração batendo muuiiiito acelerado. Espero que o aprendizado dele continue com menos sustos.

Não sei se conseguiremos salvar toda a ninhada, mas até que os Anus saibam voar os gatos ficarão sob estrita vigilância.

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E mais um carnaval terminou.

Antigamente não gostava do Carnaval, creio que por uma mistura de timidez, falta de jeito, falta de oportunidade, despeito, etc.

Hoje tenho uma visão bastante diferente, não que tenha me tornado um festeiro, mas aprecio o carnaval como uma das demonstrações mais importantes da nossa brasilidade. E como tal, é facultado a todos viver seu carnaval. Roberto Damatta me ajudou bastante nesta mudança.

A Casa Verde fica numa rua sem saída, de frente para um clube de praia. Este ano um bloco de carnaval teve seu porto de concentração neste clube. Em uma Kombi velha montaram algumas caixas de som e decidiram tocar o mesmo CD no último volume durante todos os dias de carnaval. Numa das madrugadas chegamos a chamar a polícia. Era chato, mas por que iria me incomodar pela alegria alheia?

Na noite de domingo o bloco Africatarina fez seu desfile pela rua principal da praia da Armação. Apesar de a vila ter uma população constituída basicamente de pescadores de descendência açoriana o Africatarina é um bloco afro brasileiro derivado de uma ONG que cuida de crianças pobres do lugar. Foi o ponto alto do meu carnaval! A bateria era esforçada e ouvir os bumbos tocando forte foi bastante emocionante, especialmente por ter loiras de olhos verdes e negros retintos tocando lado a lado. O bloco tinha algumas alas de crianças e uma de bahianas. Tinha até uma ala de um único componente, um garoto com paralisia cerebral eu acho. Ele nem podia conduzir sua própria cadeira de rodas, mas seu sorriso dizia tudo.

Assisti também a bons filmes. Cidadão Kane que já tinha visto. Não é o melhor filme da história como muitos querem fazer acreditar, mas é bom e eu recomendo. Outro filme foi O Dia Depois de Amanha. Neste filme tem uma ótima cena dos estadunidenses abandonando seus carros para entrar ilegalmente no México. O filme apresenta inúmeros erros científicos e de roteiro, mas se você não for muito exigente também há de gostar. Vi também O Encantador de Baleias é claro.

Por fim acho que acabei por encontrar um videogame que gostei. É do DDR, do qual nunca tinha ouvido falar. Trata-se de um jogo de dança, no qual se usa um tapete como joystick e tenta-se dançar seguindo as instruções da tela. Como vocês devem saber eu não danço nada e estou tendo dificuldades, mas é divertido e é um jogo no qual temos que nos mexer muito. Quem me ensinou foi Marina.

Além disso estou tentando tocar Flauta Transversa! Já consigo assoprar e fazer algum som na maioria dos botões. Vamos ver até onde um avanço, mas estou gostando bastante da experiência. É um instrumento bonito, fácil de carregar e que atrai as pessoas.

No mais foram boas músicas, praia, ótimos papos e a natureza sempre generosa.

Como eu disse, cada um na sua!




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Terça-feira, Fevereiro 08, 2005


O Encantador de Baleias

O que dizer de um filme sem efeitos especiais, no qual não há vilões, nenhum humor nem piadas, nem tampouco um romance adolescente? E de um filme que trata de um cultura da qual conhecemos muito pouco? Um filme sem atores famosos e sem orçamento de centenas de milhões de dólares? Enfim um filme sem violências, sem mortes, gritos, explosões, ou qualquer outro destes artifícios para "emocionar" a platéia?

Se o filme em questão for O Encantador de Baleias(Whale Rider) o que se pode dizer que é um filme MARAVILHOSO! Lindíssimo com fotografia inspirada e locações de sonho, atuações fortes e corajosas, em especial da atriz principal Keisha Castle-Hughes, que foi a mais jovem indicada ao OSCAR de melhor atriz.

Nunca tinha ouvido falar deste belo filme da Nova Zelândia e hoje tive a oportunidade de assisti-lo e de me emocionar como a tempos não acontecia. Um roteiro muito bem amarado baseado numa estória marcante, que permite muitas leituras, completado por uma excelente trilha sonora.

Vá logo assistir! Não vai se arrepender!

Ps: Parece que no Brasil o filme também foi chamado de A EncatadorA de Baleias

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Por Prazer

O post abaixo eu fiz nos comentários do blog da Iluska, contra-argumentando a idéia de que exercício físico é um tormento e que atletas não vivem tanto quando certas pessoas sedentárias.


OK, mas o problema que é que alguém inventou que fazer exercício serve para "ficar mais bonito", para "emagrecer" e outras bobagens.

Concordo que atletas não vivem muito, por que são profissionais. Fazem exercícios muito além do que deveriam, por que querem patrocínio, querem "vencer", querem "recordes".

Exercício tem uma função muito importante que é dar prazer. E este prazer não se consegue em uma academia nem numa competição. Atividade física é para dar prazer a quem faz, para propiciar o relacionamento com outras pessoas, para desfrutar da natureza, etc.

Exercício é para ser feliz.



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Sábado, Fevereiro 05, 2005


Nestes dias aqui em Floripa não tenho podido postar tudo e o tanto quanto eu que gostaria. Mas hoje recebi uma mensagem numa das listas sobre bicicleta que eu assino. Não tem o nome do autor, só as iniciais, e ela aparece em muitas paginas e blogs pela Web. Pode ser apenas uma lenda urbana, Alias, notem que a segunda parte do texto é de uma outra pessoa que não é citada. Mas o Slow Food existe mesmo e já faz tempo. E de qualquer forma, se for uma lenda urbana, será uma bonita maneira de forçar uma reflexão sobre o modo de vida que nos impõe.

"Já vai pra 18 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca. Trabalhar com
eles é uma convivência, no mínimo, interessante.
Qualquer projeto aqui demora 2 anos para se concretizar, mesmo que a
idéia seja brilhante e simples. É regra.
Então, nos processos globais, causa em nós aflitos por resultados
imediatos(brasileiros, americanos, australianos, asiáticos) uma ansiedade
generalizada...
Porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito.
Neste prazo... os suecos discutem, discutem, fazem "n" reuniões,
ponderações... E trabalham num esquema bem mais "slow down"...
O pior é constatar que, no final, acaba sempre dando certo no tempo
deles com a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde
aqui... E vejo assim:
1. o pais é do tamanho de São Paulo;
2. o pais tem 8 milhões de habitantes;
3. sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (compare com
Curitiba que somos 2 milhões);
4. empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux,
ABB, Nokia, Nobel Biocare,... nada mal, não? Pra ter uma idéia, a
Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA...
Digo para os demais nestes nossos grupos globais: os suecos podem
estar errados, mas são eles que pagam nossos salários...
Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo,
que tenha mais cultura coletiva do que eles...
Vou contar para vocês uma breve só pra dar noção...
A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos colegas suecos me pegava
no hotel toda manhã. Era setembro, frio, leve nevasca.
Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe da porta
de entrada (sao 2000 funcionários de carro).
No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... depois, com
um pouco mais de intimidade, numa manhã perguntei:
"vocês tem lugar demarcado para estacionar aqui? notei que chegamos
cedo, o estacionamento vazio e você deixa o carro lá no final..."
E ele me respondeu simples assim:
"é que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar - quem chegar mais
tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta.
Vc não acha?"
Olha a minha cara!!! ainda bem que tive esta na primeira... deu pra
rever bastante os meus conceitos...
Por ai...
L M C M - Volvo IT South America

Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food.
A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol, tem
sua base na Itália (o site, é muito interessante. Veja-o).
O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber
devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, no convívio com a
família, com amigos, sem pressa e com qualidade.
A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food e o que ele
representa como estilo de vida.
A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food está servindo de
base para um movimento mais amplo chamado Slow Europe como salientou a
revista Business Week em sua última edição européia.
A base de tudo está no questionamento da "pressa" e da "loucura"
gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter" em contraposição
à qual idade de vida ou à "qualidade do ser".

Segundo a Business Week os trabalhadores franceses, embora trabalhem
menos horas, (35 horas por semana) são mais produtivos que seus colegas
americanos ou ingleses.
E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8
horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%.
Essa chamada "slow attitude" está chamando a atenção até dos
americanos, apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it Now" (faça já).
Portanto, essa "atitude sem-pressa" não significa fazer menos, nem
menor produtividade.
Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e
"produtividade" com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos
"stress".
Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre,
do lazer, das pequenas comunidades, do "local", presente e concreto em
contraposição ao "global" - indefinido e anônimo.
Significa a retomada dos valores essenciais ao ser humano, dos
pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da
religião e da fé.
Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais
"leve" e, portanto, mais produtivo onde seres humanos, felizes, fazem com
prazer, o que sabem fazer de melhor.
Nesta semana, gostaria que você pensasse um pouco sobre isso.
Será que os velhos ditados "Devagar se vai ao longe" ou ainda "A
pressa é inimiga da perfeição" não merecem novamente nossa atenção nestes
tempos de desenfreada loucura?
Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas
sérios de "qualidade sem-pressa" até para aumentar a produtividade e
qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da "qualidade
do ser"?
No filme "Perfume de Mulher", há uma cena inesquecível, em que um
personagem cego, vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar e ela
responde:
"Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos..."
"Mas em um momento se vive uma vida" - responde ele, conduzindo-a num
passo de tango.
E esta pequena cena é o momento mais bonito do filme.
Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só
alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim.
Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se
esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe.
Tempo todo mundo tem, por igual.
Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia.
A diferença é o que cada um faz do seu tempo.
Precisamos saber aproveitar cada momento, porque, como disse John
Lennon. "A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o
futuro".




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Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005


Os Números

É sempre bom Lembrar.

E nunca Esquecer



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